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Próteses

Dente Quebrado: Onlay ou Coroa?

Por Dra. Indara Melo, CRO-RJ 51068 · atualizado em novembro de 2026 · 6 min
Em resumo

Dente quebrado tem conserto? Depende de quanto dente sobrou. Veja quando basta resina, quando um onlay repõe só a parte perdida e quando a coroa é necessária, com ou sem pino.

Ilustração em corte de um molar com bloco (onlay) e de um molar com coroa
Neste artigo (6)
  1. Dente quebrado: o que fazer até a consulta
  2. Restauração, bloco ou coroa: como eu decido
  3. Dente com canal precisa de coroa?
  4. Núcleo e pino: o que são e quando entram
  5. Como a coroa é feita, consulta por consulta
  6. Cuidados depois do bloco ou da coroa
Num dente quebrado, a escolha entre restauração, onlay ou coroa depende de quanto dente sobrou. Se a perda é pequena, uma resina feita na mesma consulta costuma bastar. Se quebrou uma ponta do dente, o onlay repõe só essa parte. A coroa, que cobre o dente todo, fica para quando sobra pouco.

Com um dente quebrado, ouço quase sempre as mesmas perguntas: vou perder o dente? Vai doer? Precisa mesmo desgastar o dente todo?

Neste post, respondo a cada uma e explico o que fazer até a consulta e como escolho entre onlay ou coroa.

Dor forte, inchaço na gengiva ou dor ao morder que não passa precisam ser vistos no mesmo dia ou no seguinte. Para esses casos, veja a página de atendimento de urgência.

Dente quebrado: o que fazer até a consulta

Até a consulta, evite mastigar do lado do dente quebrado.

O que mais me preocupa é a trinca que não aparece. O pedaço que saiu pode ser pequeno e a rachadura continuar para dentro, em direção à raiz.

Num dente que já fez canal, uma trinca extensa está entre os casos com pior chance de manter o dente[1]. Aí a pergunta deixa de ser qual peça colocar e passa a ser se o dente pode ficar.

Por isso o exame vem antes de qualquer escolha. Olho o dente com aumento e luz forte, testo a mordida em cada ponta e peço radiografia.

Restauração, bloco ou coroa: como eu decido

Eu decido pela quantidade de dente saudável que sobrou e pelo lugar onde ela está. Quanto mais dente se perdeu, maior é a peça que vai no lugar.

Três molares em corte: restauração pequena em resina, bloco que repõe uma cúspide e coroa que cobre o dente todo.
Quanto mais dente se perdeu, maior a peça. A resina fecha uma perda pequena, o bloco repõe só a parte que quebrou e a coroa cobre o dente quando sobra pouco.
Animação: molar em corte com cárie profunda e, depois, com uma cúspide quebrada ao lado de uma obturação
Dois jeitos comuns de perder estrutura: cárie profunda e uma cúspide que quebra ao lado de uma obturação antiga. Quanto dente sobra decide entre restauração, bloco e coroa. Ilustração adaptada de diagramas de Khalid Aletaibi (Wikimedia Commons, CC BY 4.0).

Olho quantas paredes ficaram de pé e se as cúspides, as pontas dos dentes de trás, estão inteiras. Também conta se há trinca, se o dente fez canal e se você range os dentes.

Restauração em resina

É a opção para perdas pequenas e médias, quando as paredes continuam grossas. A resina vai direto no dente, na mesma consulta, e é o que menos desgasta. Comparo os materiais no post sobre resina ou porcelana.

Bloco (onlay ou inlay)

O bloco é uma peça feita sob medida fora da boca, em cerâmica ou resina, e depois colada no dente.

Animação: cúspide quebrada, preparo para o bloco e o bloco (onlay) colado no lugar
O dente é preparado só onde quebrou, e o bloco repõe essa parte. Ilustração adaptada de diagramas de Khalid Aletaibi (Wikimedia Commons, CC BY 4.0).

O inlay fica dentro da cavidade. O onlay cobre uma ou mais cúspides, e eu o indico quando uma ponta quebrou ou ficou fina demais.

Precisa mesmo desgastar o dente todo?

Só a coroa desgasta o dente em toda a volta. No bloco, o preparo acompanha o que já foi perdido: tiro pouco além do que a cárie ou a fratura levaram.

A coroa total remove bem mais dente do que o preparo de um inlay ou de uma peça colada[3].

Coroa

Quando sobra pouco dente, a coroa cobre tudo, como uma capa, e segura as paredes que restaram. Outros usos dela estão no guia de próteses dentárias.

E qual das duas dura mais? Bloco e coroa duram bem: mais de 9 em cada 10 continuavam em uso depois de cinco anos[4]. Os dados não permitem dizer qual das duas é melhor[4], então o que decide é quanto dente dá para preservar.

Quer conversar sobre o seu caso?Mande uma mensagem contando o que você precisa. A Dra. Indara responde pelo WhatsApp.Agendar avaliação pelo WhatsApp

Dente com canal precisa de coroa?

Nem sempre. Por muito tempo a regra foi "fez canal, faz coroa", e muita gente ainda pensa assim.

Nos dentes de trás com perda pequena ou moderada, coroa e resina não mostraram diferença clara de fratura[2]. Uma revisão Cochrane não achou evidência suficiente de que a coroa seja melhor[6]. A escolha fica com o exame de cada caso[6].

Quando a perda é maior, cobrir as cúspides costuma dar melhor resultado[1]. Pode ser uma coroa ou um onlay, que vai bem nos dentes de trás com canal, a curto e médio prazo[5]. Antes de indicar coroa, eu verifico se um onlay resolve.

Seja qual for a peça, não deixe a restauração definitiva para depois. Dentes que receberam a coroa mais de quatro meses depois do canal foram extraídos com mais frequência[1].

O fechamento provisório do canal foi feito para durar semanas. O tratamento em si está no post sobre quando o canal é necessário.

Núcleo e pino: o que são e quando entram

O núcleo é a base que reconstrói por dentro um dente com canal que perdeu muita estrutura. Em geral é feito de resina, e com ele pronto o dente é preparado como se estivesse inteiro.

Animação: molar com canal que perdeu as paredes recebe um núcleo que reconstrói a parte de cima
Dente com canal que perdeu paredes: o núcleo reconstrói a estrutura antes da coroa. Ilustração adaptada de diagramas de Khalid Aletaibi (Wikimedia Commons, CC BY 4.0).

O pino é uma haste fina colocada num dos canais para segurar o núcleo. Ele prende a reconstrução, mas não há boa evidência de que fortaleça a raiz[1]. E quanto menos a raiz for desgastada para recebê-lo, melhor[1].

Precisar ou não de pino depende de quanto dente sobrou e de qual dente é[1]. O pino é recomendado quando não sobrou nenhuma parede, ou só uma[1].

Muitos molares têm, no meio do dente, um espaço fundo o bastante para segurar o núcleo, e dispensam o pino[1].

Ainda não há consenso sobre quando usar pino[1]. Por isso decido caso a caso, com a radiografia e o dente na minha frente.

Como a coroa é feita, consulta por consulta

A coroa costuma levar duas consultas, as duas com anestesia local. Na primeira o dente é preparado, e na segunda a coroa definitiva é colocada.

Animação: o contorno original do dente aparece tracejado sobre o preparo e a coroa é colocada no lugar
O preparo desgasta o dente por igual (o tracejado é o contorno original) e a coroa ocupa esse espaço. Ilustração adaptada de diagramas de Khalid Aletaibi (Wikimedia Commons, CC BY 4.0).

Primeira consulta

Removo a restauração antiga e qualquer cárie, faço o núcleo se for preciso e preparo o dente. Preparar é desgastar o dente por igual, em volta e em cima, para abrir espaço para a coroa.

Esse passo é definitivo, porque esmalte e dentina não crescem de novo. Um dente preparado vai precisar de coroa daqui para a frente, por isso só indico coroa quando bloco ou resina não bastam.

Depois faço a moldagem ou o escaneamento, e escolhemos a cor juntos. Você sai com uma coroa provisória, que protege o dente enquanto o laboratório faz a definitiva.

Segunda consulta

Retiro a provisória, provo a coroa e confiro o encaixe, o contato com os vizinhos e a mordida. Então a coroa é cimentada ou colada. O onlay segue o mesmo caminho, com um preparo menor.

Cuidados depois do bloco ou da coroa

A peça não tem cárie, mas o dente em volta dela pode ter. Os problemas mais comuns são a cárie nesse dente e a cerâmica que lasca[4].

Por isso a junção da peça com o dente pede atenção. Quando a peça fica pronta, eu mostro como cuidar dela em casa, e nas revisões confiro essa borda, com radiografia quando for preciso.

Me avise se a mordida ficar alta, se a dor ao morder continuar depois de alguns dias ou se a peça parecer solta.

Se você tem um dente quebrado ou uma obturação muito grande, o próximo passo é um exame com radiografia. Com ele, decidimos juntos entre restauração, bloco e coroa.

Veja como funciona o atendimento de prótese dentária no consultório do Largo do Machado.

Perguntas frequentes

Dente quebrado, o que fazer?

Mastigue do outro lado, evite alimentos duros e marque uma consulta. Com dor forte, inchaço ou dor ao morder que não passa, procure atendimento no mesmo dia ou no seguinte.

Vou perder o dente quebrado?

Depende sobretudo da trinca. Quando a rachadura vai fundo em direção à raiz, pode não dar para manter o dente. Só o exame com radiografia responde.

Qual a diferença entre onlay e coroa?

O onlay é um bloco sob medida que repõe só a parte que quebrou, como uma ponta do dente. A coroa cobre o dente todo e exige desgastá-lo em toda a volta. Os dois duram bem quando são bem indicados.

Dente com canal precisa de coroa?

Nem sempre. Com perda pequena ou moderada, a resina pode bastar. Quando falta mais dente, cobrir as pontas com coroa ou onlay costuma dar melhor resultado.

Quando é preciso colocar pino no dente?

O pino segura o núcleo quando sobra pouca ou nenhuma parede do dente. Não há boa evidência de que ele fortaleça a raiz, e muitos molares dispensam o pino.

Como é feita a coroa dentária?

Em geral em duas consultas, com anestesia local. Na primeira, o dente é preparado e moldado, e você sai com uma coroa provisória. Na segunda, a coroa definitiva é provada, ajustada e cimentada.

Fontes

  1. Mannocci F, Bitter K, Sauro S, Ferrari P, Austin R, Bhuva B. "Present status and future directions: The restoration of root filled teeth." International Endodontic Journal, vol. 55, suppl. 4, 2022, pp. 1059-1084. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9796050
  2. Suksaphar W, Banomyong D, Jirathanyanatt T, Ngoenwiwatkul Y. "Survival rates against fracture of endodontically treated posterior teeth restored with full-coverage crowns or resin composite restorations: a systematic review." Restorative Dentistry & Endodontics, vol. 42, no. 3, 2017, pp. 157-167. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC5553015
  3. Edelhoff D, Sorensen JA. "Tooth structure removal associated with various preparation designs for posterior teeth." International Journal of Periodontics & Restorative Dentistry, vol. 22, no. 3, 2002, pp. 241-249. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/12186346
  4. Vagropoulou GI, Klifopoulou GL, Vlahou SG, Hirayama H, Michalakis K. "Complications and survival rates of inlays and onlays vs complete coverage restorations: A systematic review and analysis of studies." Journal of Oral Rehabilitation, vol. 45, no. 11, 2018, pp. 903-920. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30019391
  5. Lane J, Sadeghzadeh-Araghi A, Jackson G, Bonsor S. "Survival and Success Rates of Endodontically Treated Teeth Restored with Full Veneer Crowns or Full Cuspal Coverage onlays: A Systematic Review." European Journal of Prosthodontics and Restorative Dentistry, vol. 32, no. 1, 2024, pp. 45-55. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37549135
  6. Sequeira-Byron P, Fedorowicz Z, Carter B, Nasser M, Alrowaili EF. "Single crowns versus conventional fillings for the restoration of root-filled teeth." Cochrane Database of Systematic Reviews, 2015, no. 9, CD009109. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC7111426

Dra. Indara Melo, cirurgiã-dentista, CRO-RJ 51068. Atende no Largo do Machado, Rio de Janeiro. Sobre a Dra. Indara

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