Dentadura Solta: O Que Fazer
Sua dentadura solta ao falar ou comer? Veja por que ela fica frouxa com os anos, o que a cola resolve, quando reembasar ou fazer uma nova e como os implantes ajudam a firmar.

Neste artigo (7)
- Por que a dentadura fica solta com o tempo
- Por que a dentadura de baixo solta mais que a de cima
- Sinais de que a dentadura precisa de ajuste
- Reembasamento ou dentadura nova: qual a diferença
- Cola para dentadura faz mal?
- Todo dia: tirar para dormir e escovar a dentadura
- Dentadura com implante: overdenture e protocolo
Em geral, a dentadura fica solta porque o osso sob a gengiva diminui com os anos[1]. A cola ajuda a segurar, mas não corrige a folga. Com a dentadura solta, o que fazer é passar por uma avaliação. Nela se decide se basta reembasar, se é hora de uma nova ou se implantes podem firmar a prótese.
A dentadura que solta numa conversa ou num almoço dá vergonha. Você talvez já use cola todo dia e se pergunte se precisa de uma nova. Neste post, explico por que a dentadura fica solta e o que fazer para ela voltar a firmar.
Por que a dentadura fica solta com o tempo
A dentadura fica solta porque o osso que segurava os dentes diminui depois que eles saem. Essa perda é mais rápida nos primeiros seis meses e depois continua, mais devagar, pela vida toda[1].

A dentadura é feita sob medida para a sua gengiva naquele momento, e a resina não muda junto com o osso. Com os anos, surge um espaço entre a prótese e a gengiva, e ela começa a balançar.
Essa perda de osso é uma das principais causas de dentaduras frouxas, que se mexem e machucam[1]. O ritmo muda muito de uma pessoa para outra[1]. Por isso não trabalho com um prazo fixo de troca: quem decide é o exame da boca.
Os dentes de resina da prótese também se gastam com a mastigação. Aos poucos, isso muda a sua mordida.
Por que a dentadura de baixo solta mais que a de cima
A dentadura de baixo solta mais porque tem menos onde se apoiar. A de cima cobre todo o céu da boca. Com uma camada fina de saliva por baixo, ela gruda como uma ventosa.
A de baixo não pode cobrir a língua. Por isso tem formato de ferradura e se apoia numa faixa estreita de gengiva. A língua e as bochechas se mexem em volta dela e a empurram quando você fala ou mastiga.
A perda de osso também pesa mais embaixo, e é na dentadura inferior que a falta de firmeza mais aparece[1]. Muitos dos meus pacientes se dão bem com a de cima e nunca sentem a de baixo firme.
Sinais de que a dentadura precisa de ajuste
A dentadura precisa de ajuste quando aparece algum dos sinais abaixo. Eles surgem aos poucos, e muita gente se acostuma sem perceber.
- Cola todo dia para comer ou falar, ou cada vez mais cola.
- Feridas que voltam sempre no mesmo lugar da gengiva.
- Estalos da prótese quando você fala.
- Comida entrando por baixo da dentadura.
- Gengiva vermelha embaixo da prótese, sobretudo no céu da boca.
- Rosto mais afundado, com bochechas e lábios caídos[1].
A dentadura frouxa machuca a gengiva. Isso, somado à sujeira que gruda na resina, favorece a estomatite protética, uma inflamação comum causada sobretudo pelo fungo Candida[2]. Muitas vezes não dói, e a pessoa só descobre na consulta.
Mesmo sem queixa, faça uma consulta de controle pelo menos uma vez por ano. E toda ferida na boca que não sara em duas semanas precisa ser examinada.
Reembasamento ou dentadura nova: qual a diferença
O reembasamento refaz só a parte de dentro da dentadura, e a dentadura nova troca tudo. No reembasamento, coloco resina nova na base, a parte que encosta na gengiva. Ela preenche o espaço que o osso deixou, e os dentes continuam os mesmos.

O reembasamento resolve quando o problema é só a folga. Os dentes precisam estar pouco gastos, a mordida certa e a base sem trincas.
Quando os dentes estão gastos, a mordida mudou ou a prótese já foi reembasada várias vezes, em geral é melhor fazer uma nova.
Se a gengiva estiver inflamada, trato a inflamação antes, porque ela ainda vai mudar de forma. Ajustar ou refazer a dentadura frouxa faz parte desse tratamento[2].
Um pedido: não lixe, não corte e não use kits de farmácia para reembasar em casa. A mordida sai do lugar e o conserto fica mais difícil.
Cola para dentadura faz mal?
Em pouca quantidade e numa dentadura bem ajustada, a cola ajuda e dá segurança para comer ou falar em público. Uma revisão mostrou que ela melhora a firmeza e a mastigação[4]. Ainda não se sabe bem o efeito do uso por muitos anos[4].
Numa dentadura frouxa, a cola só tapa o espaço. A prótese continua se mexendo e machucando a gengiva. Se você precisa de cola todo dia, ou cada vez mais, a dentadura precisa de avaliação.
Se a cola fizer sentido no seu caso, explico na consulta como usar.
Todo dia: tirar para dormir e escovar a dentadura
Todo dia, tire a dentadura para dormir e mantenha a prótese limpa. Dormir com ela aumenta o risco de inflamação na gengiva, e evitar isso faz parte do tratamento[2].

Em pessoas com mais de 85 anos, dormir com a dentadura esteve ligado a mais risco de pneumonia[3].
Na entrega, ensino a limpeza certa para a sua prótese e para a boca, e conferimos juntos nas revisões. Falo mais sobre isso no post sobre cuidados e manutenção da prótese.
Dentadura com implante: overdenture e protocolo
Quando a dentadura de baixo não firma nem depois de ajustada, os implantes são a outra saída.
Overdenture (dentadura presa em implantes)
A overdenture é uma dentadura que se encaixa em implantes colocados no osso. Você ainda tira para limpar e para dormir. Durante o dia, ela fica presa nos encaixes e para de se mexer.
Para a dentadura de baixo, dois consensos de especialistas indicam a overdenture sobre dois implantes como primeira escolha[5]. Quem usa fica mais satisfeito e vive melhor do que com a dentadura comum[5].
Dois implantes são o mínimo, e bastam para a maioria das pessoas[5].
Na arcada de cima, a dentadura comum costuma segurar melhor, e o plano com implantes ali depende do osso.
Protocolo (prótese fixa sobre implantes)
No protocolo, a prótese é parafusada nos implantes e só a dentista tira. Em geral, ele pede mais implantes e mais osso que a overdenture. Explico como funciona no post sobre protocolo sobre implantes.
Implante exige cirurgia, osso suficiente, boa saúde geral e uma tomografia. Nem todo mundo precisa ou quer implante, e uma dentadura bem ajustada ainda atende muita gente. O guia de próteses dentárias compara as opções.
Se a sua dentadura está solta, o próximo passo é uma avaliação. Examino a gengiva e o encaixe da prótese. Depois explico se dá para reembasar, se é hora de uma nova ou se vale pensar em implantes.
Traga a dentadura que usa hoje, e a cola, se usar. Veja como funciona a prótese dentária no consultório do Largo do Machado.
Perguntas frequentes
Por que minha dentadura ficou solta?
Na maioria dos casos, porque o osso embaixo da gengiva diminuiu. A dentadura continua do mesmo tamanho, e surge uma folga entre ela e a gengiva.
Por que a dentadura de baixo não para no lugar?
A de cima cobre o céu da boca e gruda com a saliva. A de baixo se apoia numa faixa estreita de gengiva e é empurrada pela língua e pelas bochechas. A perda de osso também pesa mais embaixo.
O que é reembasamento de dentadura?
É refazer a parte de dentro da dentadura com resina nova, para preencher a folga. Os dentes continuam os mesmos. Se os dentes estão gastos ou a mordida mudou, em geral é melhor fazer uma nova.
Cola para dentadura faz mal?
Em pouca quantidade e numa dentadura bem ajustada, a cola ajuda a segurar e a mastigar. Ainda faltam estudos sobre o uso por muitos anos. Se você precisa de cola todo dia, a dentadura precisa de avaliação.
Posso dormir com a dentadura?
O melhor é tirar para dormir. Dormir com ela aumenta o risco de inflamação na gengiva. Em pessoas com mais de 85 anos, também esteve ligado a mais risco de pneumonia.
Dá para colocar implante para segurar a dentadura?
Em muitos casos, sim. Para a dentadura de baixo, especialistas indicam a dentadura presa em dois implantes como primeira escolha. A indicação depende do osso e da saúde geral.
Fontes
- Venkatesh SB, Shetty SS. Role of genetic polymorphisms in residual ridge resorption of mandible: a scoping review. Japanese Dental Science Review, vol. 61, 2025, pp. 22-30. doi:10.1016/j.jdsr.2025.02.002 pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11927421
- Abuhajar E, Ali K, Zulfiqar G, et al. Management of chronic atrophic candidiasis (denture stomatitis): a narrative review. International Journal of Environmental Research and Public Health, vol. 20, no. 4, 2023, art. 3029. doi:10.3390/ijerph20043029 pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9967389
- Iinuma T, Arai Y, Abe Y, et al. Denture wearing during sleep doubles the risk of pneumonia in the very elderly. Journal of Dental Research, vol. 94, no. 3 Suppl, 2015, pp. 28S-36S. doi:10.1177/0022034514552493 pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC4541085
- Papadiochou S, Emmanouil I, Papadiochos I. Denture adhesives: a systematic review. Journal of Prosthetic Dentistry, vol. 113, no. 5, 2015, pp. 391-397.e2. doi:10.1016/j.prosdent.2014.11.001 doi.org/10.1016/j.prosdent.2014.11.001
- Thomason JM, Kelly SA, Bendkowski A, Ellis JS. Two implant retained overdentures: a review of the literature supporting the McGill and York consensus statements. Journal of Dentistry, vol. 40, no. 1, 2012, pp. 22-34. doi:10.1016/j.jdent.2011.08.017 doi.org/10.1016/j.jdent.2011.08.017


