Como Funciona o Implante Dentário
Como funciona o implante dentário: o parafuso de titânio no osso, o pilar e a coroa, por que o osso diminui depois da extração e por que é preciso esperar alguns meses.

Neste artigo (7)
O implante dentário funciona assim: um pequeno parafuso de titânio entra no osso, no lugar da raiz do dente perdido. Nos meses seguintes, o osso cresce encostado nele e o prende. Isso se chama osseointegração. Depois, uma peça chamada pilar é presa ao implante e segura a coroa, que é o dente que aparece.
Quem vai fazer um implante costuma chegar com as mesmas dúvidas: vai doer, meu corpo vai rejeitar, por que demora tanto? Neste post explico como funciona o implante dentário, peça por peça, e por que a espera faz parte dele.
As três partes do implante dentário
O implante dentário tem três partes: o implante, o pilar e a coroa. O implante fica no osso, o pilar atravessa a gengiva e a coroa é o dente que você vê.

O implante (a raiz artificial)
É um parafuso pequeno, com rosca por fora, que fica todo dentro do osso. Na maioria dos casos é de titânio ou de uma liga de titânio. Também existem implantes de zircônia, um material cerâmico[4].
O pilar (a peça de ligação)
O pilar, que alguns dentistas chamam de abutment, é a peça do meio. Ele é parafusado no topo do implante e atravessa a gengiva, pronto para receber o dente.
A coroa (o dente que aparece)
É a parte que você vê e com a qual mastiga. Ela é feita em laboratório, geralmente em cerâmica, com a forma e a cor dos dentes vizinhos.
Como as peças são separadas, uma coroa que lasca ou gasta pode ser trocada sozinha, sem mexer no implante.
Por que o osso diminui depois de extrair o dente
O osso diminui porque o corpo remodela a região depois que o dente sai. Nesse processo, o rebordo, que é a crista de osso onde o dente estava, perde volume[2].

A perda é mais rápida nos primeiros 3 a 6 meses e depois continua mais devagar[1]. Nesse tempo, o osso pode perder boa parte da largura e uma parte menor da altura[1].
A perda não é igual em toda a volta. A parede do lado da bochecha ou do lábio costuma perder mais que a de dentro[2]. A região dos molares também perde mais que as outras[2].
Por isso, quem perdeu um dente há muitos anos às vezes precisa reconstruir o osso antes do implante. Expliquei como no post sobre enxerto ósseo para implante dentário.

O que é osseointegração
Osseointegração é a união direta entre o osso vivo e o implante, sem cola nem tecido mole no meio[3]. É essa união que deixa o implante firme para mastigar.

O osso em volta do implante se forma em etapas. O primeiro osso novo aparece sobre o implante por volta de uma semana depois da cirurgia[4]. Ele ainda é imaturo e, com o tempo, é trocado por um osso mais organizado e resistente[4].
Essa troca começa entre 6 e 12 semanas depois da cirurgia[4]. Depois, ela continua pelo resto da vida, como em todo o esqueleto[4].
O corpo pode rejeitar o implante?
Rejeição, no sentido de um transplante de órgão, não é o que acontece com o implante. O que pode acontecer é o osso não se unir a ele, ou perder essa união mais tarde.
Os implantes atuais, de sistemas bem documentados, costumam durar muitos anos, mas falhas acontecem[4]. Por isso, o acompanhamento depois da coroa importa tanto quanto a cirurgia.
Por que é preciso esperar meses
É preciso esperar porque o osso leva meses para se unir ao implante[5]. Nesse período, o implante não deve receber a força da mastigação[5]. Logo depois da cirurgia, o implante fica preso só pela rosca, como um parafuso na madeira.

No caminho convencional, o implante fica de 3 a 8 meses sem carga, para diminuir o risco de falha[5]. Na prática, costuma ficar entre 3 e 6 meses. Depende do seu osso, da região da boca e de ter havido enxerto.
Sei que parece muito tempo, mas é o tempo de que o osso precisa para segurar bem o implante.
Dá para colocar o dente no mesmo dia?
Em alguns casos, sim. Na carga imediata, um dente provisório é colocado sobre o implante logo depois da cirurgia, quando ele sai bem firme.
Comparada com a espera convencional, a carga imediata não mostrou diferença convincente nas falhas no primeiro ano[5]. Mesmo assim, ela não serve para todo mundo, e a decisão depende do que encontro no dia da cirurgia.
O que você sente em cada fase está no post sobre a linha do tempo do implante dentário. Se o medo é de sentir dor, falei sobre anestesia e pós-operatório em implante dentário dói?
O que é o pilar do implante e como a coroa é presa
O pilar liga o implante à coroa. Ele é parafusado no implante depois da osseointegração, quando a gengiva já está pronta.
Com o pilar no lugar, a gengiva se acomoda em volta dele e fica bem aderida ao titânio. Essa vedação dificulta a entrada de micróbios ao longo do implante[3].
Por último vem a coroa, parafusada ou cimentada sobre o pilar. A escolha depende da posição do dente, da estética e da facilidade de manutenção. Muitas vezes uso antes uma coroa provisória, para ajustar a mordida e o contorno da gengiva.
Para você, essa costuma ser a fase mais tranquila. As consultas são curtas e, em geral, não envolvem cirurgia.
Como cuidar do implante para ele durar
Para o implante durar, a gengiva e o osso em volta dele precisam ficar saudáveis. A coroa não tem cárie, mas a gengiva ao redor pode inflamar.
A placa que se acumula em volta do implante causa a mucosite peri-implantar, uma inflamação da gengiva que sangra ao toque[6]. Sem tratamento, ela pode virar peri-implantite: a inflamação passa a destruir, aos poucos, o osso que segura o implante[6].
Por isso a limpeza em casa faz tanta diferença. Quando a coroa fica pronta, eu mostro como limpar em volta do seu implante, e nas revisões conferimos juntos se está dando certo.
Sangramento, inchaço ou pus em volta do implante são sinais para marcar uma consulta[6].
As revisões periódicas também servem para acompanhar o osso. Com a coroa colocada, o consenso internacional recomenda uma radiografia e a medida da gengiva como ponto de partida[6]. Anos depois, é comparando com essas medidas que se sabe se o osso continua estável.
Quando procurar uma avaliação
Procure uma avaliação antes de extrair um dente ou ao notar algo diferente em volta de um implante. Antes da extração, dá para planejar o momento do implante e ver se vale preservar o osso no mesmo dia.
Se o dente foi perdido há anos, a tomografia mostra se sobrou osso para o implante entrar direto.
Se você já tem implante, procure o dentista se a gengiva em volta sangrar ou inchar. O mesmo vale para mau gosto na boca ou a coroa mexendo. Quanto antes a inflamação é tratada, mais simples costuma ser o tratamento.
Para ver os tipos de implante e quem pode fazer, leia o guia completo sobre implantes dentários.
Se quiser entender como seria o seu caso, marque uma avaliação comigo. Veja como funciona o tratamento de implantes dentários no consultório do Largo do Machado.
Perguntas frequentes
Como funciona o implante dentário?
Um pequeno parafuso de titânio é colocado no osso, no lugar da raiz do dente perdido. Nos meses seguintes, o osso cresce encostado nele e o prende. Depois, o pilar é preso ao implante e segura a coroa.
O que é osseointegração?
É a união direta entre o osso vivo e o implante, sem cola nem tecido mole no meio. O osso novo começa a se formar por volta de uma semana após a cirurgia e amadurece nos meses seguintes.
O que é o pilar do implante?
É a peça do meio, parafusada no topo do implante, que atravessa a gengiva e segura a coroa. Alguns dentistas chamam de abutment.
O corpo pode rejeitar o implante dentário?
Não existe rejeição como num transplante de órgão. O que pode acontecer é o osso não se unir ao implante ou perder essa união mais tarde. Por isso as revisões depois da coroa são importantes.
Por que o osso diminui depois de extrair o dente?
Sem o dente, o corpo remodela a região e o osso perde volume. A perda é mais rápida nos primeiros 3 a 6 meses. Por isso vale planejar o implante cedo.
Quanto tempo leva a osseointegração do implante?
No caminho convencional, o implante fica alguns meses sem carga, em geral de 3 a 6. Depende do osso, da região da boca e de ter havido enxerto. Em casos selecionados, dá para colocar um dente provisório logo após a cirurgia.
Fontes
- Tan, W. L., Wong, T. L., Wong, M. C., & Lang, N. P. "A systematic review of post-extractional alveolar hard and soft tissue dimensional changes in humans." Clinical Oral Implants Research, vol. 23, suppl. 5, 2012, pp. 1-21. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22211303
- Araújo, M. G., Silva, C. O., Misawa, M., & Sukekava, F. "Alveolar socket healing: what can we learn?" Periodontology 2000, vol. 68, no. 1, 2015, pp. 122-134. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25867983
- Albrektsson, T., Brånemark, P. I., Hansson, H. A., & Lindström, J. "Osseointegrated titanium implants. Requirements for ensuring a long-lasting, direct bone-to-implant anchorage in man." Acta Orthopaedica Scandinavica, vol. 52, no. 2, 1981, pp. 155-170. doi.org/10.3109/17453678108991776
- Bosshardt, D. D., Chappuis, V., & Buser, D. "Osseointegration of titanium, titanium alloy and zirconia dental implants: current knowledge and open questions." Periodontology 2000, vol. 73, no. 1, 2017, pp. 22-40. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28000277
- Esposito, M., Grusovin, M. G., Maghaireh, H., & Worthington, H. V. "Interventions for replacing missing teeth: different times for loading dental implants." Cochrane Database of Systematic Reviews, 2013, no. 3, CD003878. pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC7156879
- Berglundh, T., Armitage, G., Araujo, M. G., et al. "Peri-implant diseases and conditions: Consensus report of workgroup 4 of the 2017 World Workshop on the Classification of Periodontal and Peri-Implant Diseases and Conditions." Journal of Clinical Periodontology, vol. 45, suppl. 20, 2018, pp. S286-S291. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29926491


